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TPM: alimentação e lifestyle na semana pré-menstrual

Você já reparou que, 3 a 5 dias antes de menstruar, seu corpo muda?
Mais fome, mais irritabilidade, sono mais leve, vontade de doce, menos disposição para treinar… e às vezes a sensação de que “perdeu o controle”.

Para muitas mulheres, isso tem explicação fisiológica — e pequenos ajustes sustentáveis costumam funcionar melhor do que mudanças radicais.

O ciclo menstrual como uma maré do corpo

Pense no seu ciclo como uma maré:

  • Fase folicular (do início da menstruação até a ovulação): a maré vai subindo aos poucos. Em geral, mais leveza, mais energia, mais tolerância ao treino.
  • Ovulação: pico de energia e disposição (para muitas).
  • Fase lútea (pós-ovulação até a menstruação): a maré começa a mudar. O corpo trabalha nos bastidores preparando o endométrio para uma possível gestação.

Na fase lútea, a progesterona tende a subir e depois cair. É como se o corpo entrasse em um modo “mais sensível” e, no final, “fechando as contas do mês”.


O que acontece hormonalmente na fase pré-menstrual

Nos dias finais da fase lútea, se a gestação não acontece, ocorre a queda de progesterona e estrogênio. Essa transição pode impactar:

  • humor e sensibilidade emocional
  • qualidade do sono
  • apetite e cravings
  • recuperação do treino
  • retenção de líquido e desconfortos (em algumas mulheres)

É comum que o corpo busque mais energia e mais conforto nesse período. Quando a rotina está muito restritiva (pular refeições, jejum longo sem avaliação, cortar carboidrato de forma agressiva), o corpo pode interpretar isso como ameaça e responder com mais sintomas e mais cravings.

Importante: quando os sintomas começam cedo demais

Se seus sintomas começam bem antes de 3 a 5 dias e/ou são intensos a ponto de afetar sua rotina, vale investigar além do “normal do ciclo”. Isso pode sugerir:

  • baixa progesterona (ou ovulação com qualidade ruim)
  • alterações de tireoide
  • estresse crônico e pior adaptação do sistema nervoso
  • baixa disponibilidade energética (muito treino com pouca comida)
  • questões intestinais que atrapalham eliminação adequada de hormônios
  • deficiências nutricionais (por exemplo, ferro)

TPM pode ser comum, mas não precisa ser incapacitante.


Estratégias de alimentação para TPM e fase pré-menstrual

1) Troque rigidez por previsibilidade

Na pré-menstrual, o corpo tende a responder melhor a estabilidade. Em vez de pular refeições ou passar longos períodos sem comer, tente priorizar:

  • horários mais previsíveis
  • refeições completas
  • um snack planejado quando necessário (em vez de “beliscar no desespero”)

2) Proteína em todas as refeições

Proteína ajuda a dar saciedade, estabilizar glicose e reduzir vontade de doce, especialmente no fim do dia. É uma das estratégias mais simples e consistentes para diminuir o “rebote” de fome noturna.

3) Carboidrato bem posicionado

Carboidrato não é vilão. O problema costuma ser carboidrato isolado, sem proteína e sem estratégia, ou então um dia inteiro de restrição que vira compulsão à noite.

Na pré-menstrual, muitas mulheres se beneficiam de incluir carboidratos de comida de verdade no jantar ou no pós-treino, o que ajuda a reduzir cravings e melhora sensação de estabilidade.

Boas opções incluem tubérculos, arroz, quinoa, aveia, frutas e leguminosas (se houver boa tolerância intestinal).

4) Snack pré-menstrual para evitar rebote

Em vez de resistir até ficar difícil, planeje um snack que “faça sentido” para o seu corpo nessa fase: proteína com uma fonte de carboidrato de comida de verdade. Isso costuma ajudar mais do que tentar controlar a fome no grito.

5) Intestino, fibras e ferro: o bastidor da TPM

Duas frentes importantes:

  • Fibra e microbiota: uma alimentação com variedade de vegetais, sementes e fibras ajuda a manter o intestino funcionando bem e pode apoiar a eliminação adequada de hormônios.
  • Ferro: se o fluxo é intenso ou existe fadiga, é importante investigar o metabolismo do ferro. Muitas mulheres têm sintomas que pioram nessa fase por estoques baixos.

Sugestão de exames: hemograma, ferritina, ferro sérico, transferrina/TIBC e saturação de transferrina.


Suplementação para TPM: opções que costumam ajudar

A suplementação ideal é individual, mas de forma geral alguns compostos podem ser úteis por ações simples:

  • Magnésio: pode ajudar relaxamento, tensão muscular, sono e desconfortos associados à cólica.
  • Ômega-3: tende a apoiar modulação inflamatória e desconfortos no ciclo em algumas mulheres.
  • Gengibre: pode ser um aliado para desconforto e cólicas em parte das mulheres.
  • Curcumina: pode apoiar modulação inflamatória (depende de tolerância e contexto).
  • Compostos para o sistema nervoso (como teanina e glicina): podem ajudar a desacelerar a mente e apoiar um sono mais estável, o que também impacta cravings.

A melhor resposta costuma vir da combinação de hábitos de sono, alimentação estruturada e, quando necessário, suplementação.


Exercício na pré-menstrual e menstruação: como ajustar sem parar tudo

A ideia não é parar, é modular

Você não precisa desligar o treino, apenas ajustar a intensidade e o volume conforme a fase.

Na fase logo antes da menstruação (lútea tardia)

Se você percebe mais irritabilidade, dores, fadiga ou mais cravings, considere:

  • reduzir treinos muito intensos e muito longos
  • manter movimento com caminhada, mobilidade, yoga/pilates e treinos de força mais técnicos
  • observar se usar um volume mais baixo (menos séries, menos carga máxima, menos falha) melhora sua disposição e recuperação

Durante a menstruação (especialmente dias 1–2)

Se há cólica forte ou fluxo intenso:

  • priorize movimento leve e recuperação
  • se fizer força, use uma versão reduzida, focada em manutenção
  • respeite sinais de tontura, dor forte e cansaço intenso como sinais de pausa

O objetivo é consistência com inteligência, não performance máxima todo dia do mês.


Quando procurar avaliação

Considere investigar se:

  • sintomas começam bem antes de 3 a 5 dias e são intensos
  • cólicas incapacitantes, suor frio, desmaio, vômitos recorrentes
  • sangramento muito intenso
  • dor pélvica fora do período menstrual
  • suspeita de endometriose/adenomiose

Mini-plano de 7 dias para a fase pré-menstrual

  1. proteína em todas as refeições
  2. refeições em horários mais previsíveis
  3. carboidrato de comida de verdade bem posicionado no jantar ou pós-treino
  4. um snack planejado quando os cravings aumentarem
  5. reduzir a intensidade/volume do treino e observar a resposta do corpo
  6. minimizar telas à noite e buscar uma rotina de sono mais estável
  7. anotar por 7 dias: sono, cravings, humor e cólicas (0–10)

Quer ajuda para individualizar?

Se você quer um plano personalizado (alimentação, suplementação e ajustes do treino conforme seu ciclo e seus sintomas), você pode me procurar para uma consulta aqui. A ideia é montar uma estratégia aplicável à sua rotina, sem radicalismo e com consistência.


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